Spec Ops The Line capa

Sempre que começo um novo jogo e estou para entrar em mundo de conflitos, por mais babacas que eles sejam, preciso de motivação, de uma história. Objetivos que precisam ser atingidos de forma a percorrer um caminho de decisões, mesmo que pré-determinadas, através da jogabilidade.

Claro que nem todos os jogos precisam de história para serem ótimos, mas para mim é essencial ter uma razão dentro do jogo de eu estar atirando, saltando, disparando poderes e observando a evolução dos personagens como agentes modificadores daquela realidade.

Com o mínimo de senso crítico é possível perceber que a histórias em jogos são recheadas de clichês mal feitos e não tem o devido tratamento estando ali apenas justificar a jogabilidade da coisa. Ok, eu compro essa a ideia fácil como você já percebeu, mas e quando a história vai além e se destaca mais que qualquer outro aspecto do jogo? Spec Ops: The Line faz exatamente isso.

O jogo

Os detalhes do jogo que você deve saber: Spec Ops é um shooter em terceira pessoa, que traz as mecânicas básicas de jogos desse gênero que você já deve ter visto por aí: cover, tiro e bombas. Esse quesito é um feijãozinho com arroz básico, que alimenta bem, mas não tem um sabor diferenciado. O único destaque é que o personagem principal pode dar ordem a seus comandados para cuidarem de determinados inimigos em determinadas situações quando o bicho pega.

Aqui vai um resumo da história: Um trio de soldados é enviado a Dubai para resgatar uma divisão do exército americano que foi dada como perdida durante uma guerra no país. Você é John Walker, líder da missão de resgate e é acompanhado dos soldados Lugo e Adams.

As decisões de uma guerra

A história desse jogo é um grande questionamento aos jogos de guerra/tiro atuais:

  • Porque é necessário matar pessoas?
  • Você gosta de matar pessoas?
  • Quantas pessoas devem morrer para que você possa alcançar seu nobre objetivo?
  • Suas decisões, por mais bem e moralmente intencionadas que elas sejam, justificam a morte de inocentes?

Em alguns momentos de Spec Ops: The Line, você é forçado a tomar decisões como líder da equipe. Mas não importa o caminho escolhido, você sofrerá as consequências de cada ação tomada e isso fará com que os personagens se questionem se o que vieram fazer foi resgatar ou matar pessoas. Dá para perceber com esse jogo, o porquê de veteranos de guerra ficarem malucos ou esquizofrênicos. O quanto decisões tidas como moralmente aceitas tem um peso extremamente significativo na vida de milhares de pessoas, inclusive àquelas que estão sob sua proteção.

Os personagens humanos

Spec Ops: The Line trata a evolução dos personagens de forma bem explicita. Conforme a história avança, os personagens são afetados psicologicamente. No começo, conscientes de sua missão, Walker e seus companheiros agem como um esquadrão de guerra especial, seguindo procedimentos de um. Ao longo dos acontecimentos o protocolo vai por areia abaixo e eles começam a questionar a si mesmos levando as coisas para o lado pessoal. Isso é claramente perceptível durante as cut-scenes, cenas de ação, falas que evoluem de “Stay down” a “stay fucking down” e até mesmo fisicamente: Os soldados começam limpos e terminam completamente sujos de sangue e com roupas rasgadas. Exatamente como sua sanidade.

Conclusão

Além de ser uma crítica aos jogos de tiro modernos e não inovar na jogabilidade, Spec Ops mostra o quão grande pode ser a importância de uma história bem contada nesse tipo de entretenimento e o valor que ela agrega à experiência da jogabilidade. O cinema conta histórias incríveis e marcantes, porque é seu recurso principal. No videogame a variante mais importante é o da jogabilidade, entretanto isso não quer dizer que jogos não possam ter histórias que agreguem e ensinem algo ao jogador de forma madura. Acredito que quando esses dois quesitos começarem a andar lado a lado, os videogames podem ganhar algum valor mais interessante na cultura do entretenimento.

Posso ter viajado um pouco no último parágrafo, mas a dica final é: Joguem. É uma ótima e infelizmente uma curta experiência (5~6 horas) que vale a pena. Comprei esse jogo por R$ 50,00 na play-asia e valeu cada centavo. Outra dica é: fiquem longe do multiplayer por que isso quebra, de certa forma, a experiência single-player. Ele só está lá por exigência de executivos na tentativa de capitalizar mais em cima de um jogo de tiro.

[Trailer]

Spec Ops: The Line é produzido pela Yager Development e publicado pela 2K Games. Foi lançado em junho de 2012 para PC, Xbox 360 e PlayStation 3.