Com um atraso de uma hora e após muita vergonha alheia da orquestra e dos organizadores na tentativa de entreter o público que lotou o teatro de Santo André, começou a primeira apresentação do concerto Games in Concert de sua turnê nacional.

Games in Concert 2012

O Games in Concert, organizado e dirigido por Átila Cumagai, é a tentativa de uma versão brasileira para o Video Games Live. A idéia é apresentar trilha sonoras de jogos que marcaram época e que são destaque no cenário contemporâneo e formato orquestrado.

Mas não cabe aqui realizar uma comparação com VGL, pois o Games in Concert ainda está se ajustando e buscando um formato. Prova disso é que faltou um pouco mais de feeling no momento de escolher o setlist a ser executado. Como se trata de um início de projeto, é necessário ganhar fãs e como se faz isso? Indo a fundo no sentimento e encontrar um conectividade com o mesmo e não foi isso que aconteceu.

A orquestra, acompanhada pela banda Smash Bros. que não fez qualquer diferença à apresentação, iniciou com a trilha de Tetris. A música bem executada não empolgou o público que esboçou uma leve reação com as trilhas seguintes de Super Smash Bros. Melee e Brawl, mas não passou disso.

Em seguita veio o melhor momento da orquestra: A trilha de Green Hill Zone de Sonic The Hedgehog. Posso dizer que foi o ápice da apresentação. A música foi impecavelmente tocada em conjunto com a banda Smash Bros de forma a despertar um sorriso e a emoção de realmente voltar no tempo e saber que estava jogando Sonic.

Games in Concert GoldenEye

E foi isso que fez e salvou a noite. Em seguida veio a interpretação das músicas de Zelda, entre Lost Woods e Hyrule Field, os músicos pareciam não saber o que estavam tocando ou ao menos ensaiado a canção. Cheguei a me emocionar, mas somente com as imagens de Zelda: Skyward Sword que estavam no telão, entretanto a música definitivamente não ajudava a manter o sentimento.

Depois tivemos The House of the Dead, muito bem executada tecnicamente pelo jogo ter uma música mais orquestrada, mas indiferente para a platéia que acompanhava sem empolgação. Outro bom momento foi com Super Mario World com a trilha do castelo de Bowser, muito bem feita, mas nada que fosse difícil de se apresentar ou pudesse empolgar. Depois tivemos as trilhas de 007 – Goldeneye, Kingdom Hearts e inexplicavelmente o encerramento com a trilha do filme Mortal Kombat. Não, não era do jogo. Aliás, o jogo nem possui trilha sonora decente para ser orquestrada.

Games in Concert Try Again

No final das contas, valeu pela iniciativa de tentar trazer mais uma atração para a comunidade de jogadores que se torna cada vez maior e rentável no Brasil. Devido a falta de energia que durou mais de uma hora, a primeira apresentação foi capada de algumas outras músicas. Mas isso não é desculpa para para o fraco setlist apresentado.

Quando se quer ganhar o público, não se pode deixar de lado marcantes trilhas como a de Metal Gear Solid, Silent Hill e Final Fantasy VII. Acertaram na escolha de Zelda, Mario e Sonic e parou por aí, porque The House of the Dead e Mortal Kombat foram uma piada de péssimo gosto.

O restante foi apenas um orquestra sinfonica aparentemente mal-ensaiada tocando o que estava no script, sem emoção. Destaque ainda para o Maestro que realmente parecia estar empolgado e tentando de todas as formas conduzir o espetáculo da melhor maneira possível. Foi uma boa tentativa, mas não fez milagre.

Nossos camaradas do Nerddisse puderam acompanhar a segunda apresentação e podem falar um pouco mais do que aconteceu e se aconteceu melhor do que na primeira.

No final, não chegamos a ter um completo game over, mas um try again. O projeto pode valer e crescer muito bem no ano que vem quando a maturidade do projeto, em turnê, pode entender melhor a importância da música para os jogadores.