livroGosto de sentir meus dedos passando por ele, gosto do cheiro, da textura e da consistência. Gosto da forma que ele conversa comigo e de como me ensina o que não sei. Fico deslumbrada toda vez que ele me leva para um lugar que não conheço. Gosto da paixão dele e de como ele se cala quando eu preciso de uma pausa. Um colega me disse que isso só pode ser amor, porque até quando ele é grosso, eu o acho elegante. Eu amo sim, mas meu amor é plural, não consigo amar apenas um, mas isso é compreensível, mediante tantas possibilidades. Todos eles me entendem.

Sou apaixonada pelos livros que já li e por todos que ainda vou ler. Eu tenho todo um ritual e carinho com os meus, sei das rasuras de cada um, das anotações em cada página, lembro de como chegaram à minha vida. Sou apegada a eles e não me desfaço, é como se fizessem parte de mim.

Eu, verdadeiramente, sinto que essa ligação que tenho com os livros não vai mudar, mas sempre tem alguém que me diz que sim, que mudamos e que deixamos velhos hábitos para trás. Nesse caso, a tecnologia cada vez mais vai se encarregar de mandar esses costumes para longe. Há quem diga que os livros têm os dias contados e que os responsáveis por isso seriam os chamados E-readers. Não entrarei no mérito da qualidade tecnológica deles, mas só vou esclarecer alguns pontos sobre o que penso a respeito disso.

Acho bacana que a tecnologia trabalhe sempre a favor de uma vida melhor, mas um E-reader não faria a minha melhor, garanto. Tem o argumento do espaço, não é? Que em cada um desse leitor eletrônico cabe um grande número de obras, e daí?  Eu não vejo dificuldade em carregar meus livros, em achar espaço para eles na minha estante. Para mim, querer diminuir o espaço físico que meus livros ocupam, seria tão sem sentido quanto substituir um cachorro por um robô, porque o segundo é mais silencioso.

Podem argumentar que eu escrevo e que, consequentemente, devo ler muito na internet/computador, logo, qual o problema com um E-reader?  Fato é que eu leio apenas coisas breves por aqui, quando algo é extenso demais, eu imprimo [desculpe o meio ambiente] ou compro o livro, simples. Eu sei que isso pode parecer discurso de pessoa mais velha apegada às coisas do passado, mas não é. E também não tenho a intenção de convencer alguém a não ter um Kindle ou Ipad, cada um escolhe o que é melhor pra si, foi o que me ensinaram.

E como isso é um desabafo, só vou esclarecer que eu quero continuar fazendo uma anotação bem clarinha de lápis no trecho que mais gostei do meu livro e quero poder usar o marcador de páginas bonito que eu ganhei. Quero sentir o cheiro do livro novo e espirrar com o pó dos velhos. Quero olhar para minha estante e pensar onde melhor se encaixa meu último livro, se perto do Gabito, talvez vizinho do Bukowski, quem sabe parceiro do Tolkien ou se aconchegar ao lado do Quino e do Muttarelli, porque nós não somos eletrônicos, não somos binários, eu e meus livros somos táteis, sabe? Como a sua e a minha família, precisamos de espaço físico para existir. Só isso.
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