vinil

É possível viver a dois com alguém cuja coleção de discos é incompatível com a sua?*

Em meu caso, a resposta é não. Não consigo conviver com alguém que se distancie demais da minha realidade e dos meus gostos. Por exemplo, não vejo como conseguiria lidar com um homem que gostasse de sertanejo. Algumas pessoas dirão “ah, mas se você o amasse de verdade, não ligaria” então, o problema está em chegar nesse ponto aí, de amar de verdade. Dificilmente chegaria a me atrair, quem dirá amar.

Se o cara só curte Capital Inicial e fala que no quesito música, gosta de tudo um pouco ou escuta o que tocar, eu risco. Estou sendo seletiva demais? Preconceituosa? Talvez, mas eu perco o interesse na hora, é automático. Como se algo dentro de mim gritasse “wrong way, go back, go back” e eu obedeço. Porque uma pessoa que não valoriza música como algo essencial pra si e escuta o que tocar, provavelmente não vai se interessar pela minha vida, porque música para mim é fundamental, deu para entender a lógica?

Outro ponto: livros. Sem chance de me interessar por uma pessoa que não gosta de ler ou que curte Dan Brown e Paulo Coelho. Tudo tem limite nessa vida e eu tenho os meus. Vou contar uma história triste para ilustrar.

Eu vi um cara tempo atrás super charmoso no metrô [não gosto de homens lindos, prefiro charme], mas então, ele estava com um livro nas mãos, compenetrado na leitura, coisa linda de se ver e eu me contorcendo toda para saber o que ele estava lendo, mas não conseguia. Fantasiei que pudesse ser algum dos meus livros favoritos, Cem Anos de Solidão, Misto Quente, Alta Fidelidade, Raízes do Brasil, mas aí percebo que a capa era preta. Ops, busco no meu banco de dados “livros bons com capa preta, livros bons com capa preta” necas, só vieram uns livros ruins. Eu meio que joguei em cima dele, mas nem foi proposital, me empurraram. Então ele saiu do momento de transe pela leitura, me olhou, eu bati meus olhos com o dele e instantaneamente baixei os olhos e vi: Crepúsculo. Estação Brigadeiro, adeus romance.

Eu sou chata, eu tenho outros parâmetros e elimino possibilidades por coisas que para muitas pessoas não importam e valorizo outras igualmente sem importância para alguns . Hipócrates disse que “Somos o que comemos” eu concordo, mas acho que homens ficam bem mais saborosos se forem temperados com músicas, livros e filmes, é assim que eu gosto ;)

*A pergunta é feita por Rob Fleming, personagem do livro Alta Fidelidade, de Nick Hornby.