Se falta originalidade em meio a tantos blockbusters(quadrinhos, livros, séries, remakes e reboot), Nolan sabe exatamente onde ela se esconde e prova isso. O diretor não tem medo de arriscar uma idéia original e ambiciosa em seu novo trabalho: A Origem.


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No filme Leonardo di Caprio interpreta Dom Cobb, um ladrão especialista em roubar e extrair segredos valiosos do subconsciente de pessoas durante seus sonhos. Essas qualidades o tornaram empregado de uma grande corporação de espionagem colocando na situação de fugitivo tendo que deixar para trás tudo que mais amava. Porém Cobb ganha uma oportunidade de se redimir e voltar para casa depois de realizar um último trabalho, tido por muitos como impossível, uma inserção de idéia. Ele deve então juntar uma equipe de especialistas para realizar o trabalho e ainda enfrentar um inimigo que apenas Cobb tem conhecimento.

Daí você pode dizer que a idéia de juntar um grupo com pessoas de determinadas especialidades para roubar, ou no caso inserir, o que quer que seja é batida e já vimos isso antes. Até pode ser, mas a diferença aqui é como a idéia é executada, e as semelhanças com qualquer outro filme param por aí.

a origem poster

As subtramas que se desenrolam durante o filme são totalmente justificáveis pela própria trama de sonhos e idéias que Nolan padroniza para basear as ações e conflitos dos personagens. Padronização essa que causa uma certa familiaridade com o público justamente por encontrar uma veracidade, imposta pelo diretor, quando diz por exemplo que uma das formas de se acordar de um sonho é morrendo no próprio e pela sensação de queda livre. Com isso o conceito dos sonhos, idéias e subconsciente se constrói naturalmente dando vazão à forma intrigante e criativa com que as ótimas cenas de ação, mais uma vez muito bem elaboradas por Nolan, se desenvolvem bem como vamos conhecendo o conflito interno de Cobb.

Com o conceito pronto o diretor sai ramificando o filme e amarrando a atenção do público em todas as subtramas levando cada uma a desfechos e clímax diferentes, tornando A Origem um filme tenso de se acompanhar pois você precisa ficar atento a todos os detalhes de como é feita a ligação entre os sonhos e os limites do subconsciente.

Como muitos andam dizendo o filme é ambicioso sim. E por sua ambição, por ser algo original é que A Origem é o melhor filme do ano que vi até agora. Sim, porque quando se trata de uma adaptação ou refilmagem você sabe o que esperar da história e não tem como surpreender-se. E A Origem é isso, é surpreendente, é audacioso, é comovente e intrigante. O único problema depois de assistir o filme é não lembrar dele toda vez que se sonha e contar as semelhanças.